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EU, A MULHER MACACO ______

Tenho de representar o que não sou quantas vezes? Como falar de mim, a verdade, sem que soe a mentira? Como dizer que eu fui a mulher macaco, a mulher mais feia do mundo, o híbrido maravilhoso, esposa e mãe, e que também não fui nenhuma dessas coisas, como dizer… eu considerava-me normal. Eu adorava cantar, dançar, aprendi línguas, e ainda assim tive de viver uma vida de exposição constante, nas feiras e nos circos. Minha pele, toda a minha pele está cheia de pêlos por todo lado, sim, e?
Eu sou Julia Pastrana, nasci no México em 1834 e morri na fria Moscovo. Cento e cinquenta e três anos anos depois de morta, meu corpo mumificado, voltou à terra onde viu a luz pela primera vez, onde foi vendida, onde foi amada por um cãozinho chamado Xoloitzcuintle, um cão que não tinha pêlos. Gosto de flores brancas, gosto, fazem-me sentir bem, amada. As pessoa quando olham para mim, ficam caladas, fecham os olhos, riem de nervos ou gozam comigo. Eu faço-me de parva. Meu marido, ele diz que é meu dono, meu marido, Theodore Lent, não me deixa sair. Ao terminar o espectáculo todos tiram a maquilhagem, as roupas, as máscaras, saem, eu sou a única real aqui, eu não posso tirar nada, eu sou assim, diferente, mas mais real que todos os que aqui trabalham. Gosto das noites, porque nelas posso ser igual aos demais, sinto-me tão feliz. Amo estas flores brancas, o seu cheiro. O tempo onde eu moro é tão flexível que, apesar de estar morta, hoje descobri que estou grávida. Theodore ficou feliz, diz que venderá bilhetes no dia do parto, que também é hoje. “Isto é a arte de representação, Julita meu amor, onde o tempo e o espaço são outros, és um milagre.” E beija-me.
Eu sou Julia Pastrana, tenho 26 anos, e depois do parto, morrerei. As pessoas baterão palmas com os seus bilhetes na mão, pela emoção que produz o meu espetáculo. No final só por dentro fui eu, por fora, todos se enganavam. Eu, Julia Pastrana, a que fez da sua diferença a arte de representar, assino isto.


DESCRIÇÃO DO ESPECTÁCULO ______

Quando o público chega ao teatro ouvimos a voz de um homem que nos convida a um espetáculo, um parto. Ele diz: “Minha mulher tem uma doença incurável, tem por todo o corpo pêlos. É a indescritível mulher macaco. E hoje nasceu o meu filho”.

O grupo Valdevinos faz, neste trabalho, uma aposta na convenção do teatro dentro do teatro para representar a história real de Julia Pastrana, a mulher macaco. Uma mexicana que nasce em 1834 e morre em 1860 em Moscovo. Seu corpo só regressa ao México cento e cinquenta e três anos depois, em Fevereiro de 2013. Neste trabalho de pesquisa e experimentação multidisciplinar, no qual estão inseridos artistas mexicanos, exploram-se as relações humanas, o amor versus negócios, utilizando-se a arte da marioneta que caracteriza o grupo para potenciar o universo que caracteriza o mundo do espetáculo. Que Julia Pastrana é a verdadeira: a que se mostra ao público ou aquela da intimidade? Utiliza-se a dança para encantar (como o fazia Julia Pastrana), há uma aposta na criação de música original executada ao vivo e risco nas possibilidades que dão as percussões. Propõe-se ainda o jogo de relações teatrais que conduz à interação com os atores, os músicos, o público, as máscaras e marionetas, para gerar um espetáculo estruturado com os estímulos de todos, sempre no presente da ação do teatro. Porque nós todos fomos e somos convidados a este parto. Comprem o seu bilhete, não podem perder o parto da mulher macaco, a mulher mais feia do mundo, o híbrido maravilhoso, Julia Pastrana.


SINOPSE ______

Julia Pastrana,nasceu com hipertricose, doença que a marcou para sempre como a “mulher macaco”. Frágil mas muito talentosa, conta na primeira pessoa a desconcertante história da sua vida. Theodore Lent, seu marido e empresário artístico sem escrúpulos, transforma Julia numa atração circense de diversão. É neste cenário que o público assiste a esta bizarra e comovente história.

No ano em que Julia Pastrana regressa à sua terra natal, os Valdevinos teatro de marionetas prestam homenagem a esta figura ímpar extraordinária. “Eu, a Mulher Macaco” retrata a vida de Júlia Pastrana, num ambiente intimista com música ao vivo.No ano em que Julia Pastrana regressa à sua terra natal, os Valdevinos teatro de marionetas prestam homenagem a esta figura ímpar extraordinária. “Eu, a Mulher Macaco” retrata a vida de Júlia Pastrana, num ambiente intimista com música ao vivo.



FICHA-TÉCNICA ______

Texto: Veckío Mendoza | Encenação: Fernando Cunha e Veckío Mendoza | Interpretação/manipulação:Fernando Cunha, Ian Carlos Mendoza e Sofia Portugal | Música: Ian Carlos Mendoza | Coro: Coral Allegro | Voz-off: Jacqueline Pirkelbauer Rivero, Joaquim Guerreiro e Veckio Mendoza | Marionetas e figurinos: Ana Pinto | Máscara: Marta Fernandes Silva | Cenografia: Ana Pinto e Fernando Cunha | Costureira: Adélia Canelas | Ilustração, design gráfico e webdesign: Norma Carvalho | Desenho de luz: Rui Afonso | Operação de luz: Joaquim Guerreiro | Fotografia: Miguel Soares | Vídeo: Ricardo Reis | Produção: Ana Pinto | Agradecimentos: Câmara dos Ofícios, Carlos Coxo, Carlos Figueiredo, Laura Anderson Barbata, Russo, Sandra Canelas, Teatro Tapafuros | Técnica: máscara, manipulação directa e sombra | Classificação etária: maiores de 12 anos | Duração: 1h15m


PARCERIAS ______

TeatroesferaCoral Allegro


APOIOS ______

Câmara Municipal de SintraJF Agualva & JF Mira-SintraEmbaxada de México en portugalAgencia Mexicana de Cooperación Internacional para el DesarrolloSecretaría de Relaciones Exteriores

SOBRE JULIA PASTRANA ______

Julia Pastrana

Julia Pastrana(1834 — 1860)

(de origem indígena nascida no México, no estado de Sinaloa)

Nem a sociedade da época, nem a ciência, estavam preparados para entender um ser como Julia Pastrana, o que a levou ao triste destino dos que nasciam diferentes: ser degradado à categoria de fenómeno em feiras ambulantes e circos.

Theodore Lent era um empresário artístico que viu em Julia muito potencial económico e cortejou-a até conseguir casar com ela.

Já casado com Julia Pastrana, Lent levou-a para uma série de apresentações pela culta Europa, onde obviamente a aparência de sua esposa despertou tremenda curiosidade tornando o matrimónio/negócio ainda mais lucrativo. Lent ensinou-a a cantar e dançar, e ela, por conta própria, aprendeu a ler e escrever em três idiomas. Dizia que gostava de dedicar o seu tempo livre à leitura, embora nos espectáculos fosse anunciada como uma completa selvagem.

Em 1859, quando se apresentava em Moscovo, Julia Pastrana descobre que está grávida.

A 20 de março de 1860, enquanto seu esposo cobrava entradas para que as pessoas pudessem presenciar o seu parto "ao vivo", Julia dava à luz um filho varão, idêntico fisicamente a ela e que apenas sobrevive dois dias. Julia morre três dias depois.

Já viúvo, Lent vende os dois cadáveres ao Dr. Sokolov, da Universidade de Moscovo, que tinha desenvolvido uma técnica de embalsamamento.

Mais tarde, reclama a sua família embalsamada e inventivamente acomoda-a em vitrinas: Julia de corpete, vestida como bailarina russa e o pequeno sobre um pedestal, trajando roupa de marinheiro. E assim os leva em digressão pela Europa, num espectáculo que terá tido mais êxito do que os espectáculos com Julia em vida.

Theodore Lent casa de novo com uma outra mulher com a mesma doença de Julia e morre em 1884 num hospital psiquiátrico em São Petersburgo, na Rússia.

O corpo de Julia e seu filho mumificados continuam a ser exibidos por Zenora, viúva de Theodore Lent, que os vende em 1921 ao norueguês Haakon Lund Jaeger, que os exibe em Oslo.

Muitas e muitas exibições do corpo de Julia mumificado se passaram e outras tantas peripécias lhe terão acontecido até que, em 2005, uma artista mexicana, Laura Anderson Barbata, inicia uma campanha que culmina numa grande batalha judicial envolvendo representantes mexicanos, para que os corpos de Julia e do seu filho sejam enterrados no México, terra natal de Julia, o que acontece em Fevereiro de 2013.

TRAILER ______

Fotografias ______

CONTACTOS ______

VALDEVINOS TEATRO DE MARIONETAS

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2735-117 Agualva
Sintra-Portugal
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